sábado, 20 de junho de 2015

Não há luta pior do que a luta contra você mesma

A paz geralmente vem com o sono. Ou, com o sono, geralmente vem a paz. Para mim, é ao contrário. O sono me traz coisas ruins, me traz pesadelos. Ou melhor, sonhos que viram pesadelos somente após o meu despertar. Porque, como dizem, o sonho pode ser encarado como a manifestação dos nossos desejos mais profundos. Você experimenta como seria aquilo que você mais quer, só que uma hora tudo desaparece como fumaça. E aí você abre os olhos, vê um frame de certo ponto do seu quarto, e percebe que tudo fora uma viagem com passagem de ida e, infelizmente, volta. Você se preenche, e rapidamente se esvazia. Não é como se você acordasse de algo muito ruim e ficasse aliviada por ter sido um sonho. Ao invés do alívio, você sente desespero. Acho que posso chamar isso de pesadelo inverso. 

Acho que talvez o que mais agrava a situação é saber que, aquilo que você quer, não é nem de longe o melhor pra você. E daí começa a luta mais acirrada que pode existir: a luta contra você mesma. Você sabe que não pode. Sabe que não deve. Sabe que vai te machucar. Mas você quer, você quer com todas as suas forças. É como se te puxassem para os dois lados: uma pessoa em cada braço seu, puxando, como se fossem te dividir ao meio. Quem será que vai vencer? Você sente que está perdendo as forças.

Luta, menina. Luta! Resiste. Briga. Soca. Estapeia. Chuta. Sufoca. Extermina.

É isso que você diz para você mesma. Porque te dói. Dói da ponta do dedo do pé até o último fio de cabelo. Dói tanto que parece que está em todo lugar, por todo seu corpo: nas veias, artérias, vísceras, na pele. Parece que vai explodir a qualquer momento, e você vai fazer coisas que com certeza lhe causarão arrependimento futuramente. Aquele arrependimento que também mata. Que também tortura.

Por isso, luta. Essa criação de mundos paralelos irrita. Ilude. E você já está cheia disso. Amor não é sempre bonito. Ele acaba por te definhar a cada dia que passa, a cada ausência que você sente, a cada pensamento frustrante. Do que adianta amar, sentir tanta coisa, se não vale a pena lutar por tudo isso? Faz o favor e acaba com tudo, do mesmo jeito que alguém apaga um cigarro e promete que nunca mais vai fumar.

Tudo o que você quer é um pouquinho de consciência. Não seja estúpida. Não seja leviana, porque, bem lá no fundo, você sabe que tudo isso vai passar em trinta segundos. Ou talvez trinta minutos. Tudo bem, trinta horas. Trinta dias. Trinta meses. Trinta anos. Mas vai passar. Tu sabes, né?