domingo, 31 de maio de 2015

Agridoce

Nunca esqueço daquela manhã, quando meu coração bateu mais forte. Acordei em teus braços, fui abrindo os olhos devagarinho... Tudo fazia sentido naquele tempo e naquele espaço. Lembro-me que teus braços estavam envoltos em meu corpo. Virei meu rosto, olhei pro teu. Tu dormias tão serenamente... Eu não podia, simplesmente não era o meu direito, te tirar daquele sono profundo. Com o que você sonhava, me perguntei. Talvez com situações desconexas, aleatórias. Aquele tipo de sonho maluco que a gente não entende. Mas no fundo eu desejava que tu estivesses sonhando comigo. Como eu queria fazer parte do mundo... 

Analisei cada traço do teu rosto. Enxerguei teus poros, tuas linhas, tuas perfeições. Lábios, nariz, olhos... Tua respiração lenta e serena. Era tudo o que precisava naquele momento. Mas ao mesmo tempo eu olhava para ti e sentia tanto, mas tanto medo de te perder... Foi então que eu vi que o meu coração não batia por mais ninguém. 

Acariciei teus cabelos, macios. Com o movimento, senti o aroma do teu shampoo de sempre. Nenhum outro cheiro poderia ser melhor. Era o cheiro que me fazia sentir em casa, como se eu morasse em ti. E então eu pensava, meu Deus, eu tinha tanto medo de te perder... Como se você fosse desaparecer em um minuto. Como se eu pegasse um pouco de água com minhas próprias mãos, e ela fosse se esvaindo entre meus dedos. Eu só pensava que eu queria aproveitar aquele momento. E eu só rezava para que nada nem ninguém me tirassem você. 

Eu não tive coragem de te tirar do teu sono. Era belo, calmo, prazeroso... Mas tu te acordaste por conta. Levantou lentamente, caminhou até a porta e saiu. Saiu da minha vista. E eu nunca mais teria uma manhã de domingo tão doce. 

Eu não te perdi. Amargamente, você foi embora. 

Expulsou-me de ti.

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