quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Coluna Intercâmbio #07: Stonehenge


Hallo, Leute!
É isso aí, depois de muito tempo, cá estou eu com mais uma postagem do Coluna Intercâmbio. E ok, por ter ficado quase um século sem postar sobre minhas aventuras do intercâmbio, acho que convém retomar brevemente: no início do ano de 2012 eu fiquei um mês em Londres, Inglaterra, e tive a oportunidade de conhecer vários lugares incríveis nesse país tão maravilhoso. Foi então que, algum tempo depois que voltei da viagem, decidi criar essa seção aqui no blog para falar um pouquinho sobre os incríveis lugares que tive a oportunidade de visitar. Então, vamos  ao que interessa!

Pela foto inicial, já deu para perceber que hoje a postagem é sobre um dos lugares mais misteriosos do mundo: o Stonehenge. O que posso dizer desse lugar é que ele é inexplicavelmente encantador e inspirador. Visitei-o em fevereiro de 2012, ainda fazia um inverno muito gelado na Inglaterra. Lembro que acordei pela manhã, me agasalhei bem e fui até a área central do bairro Twickenham em Londres para encontrar meus colegas e pegar o ônibus rumo ao passeio (recordo-me que achei muito estranho andar em um ônibus britânico com a direção do lado direito). Viajamos rumo à planície de Salisbury, no condado de Wiltshire, onde se localiza o Stonehenge. A temperatura estava realmente muito baixa, em torno de -1ºC, e quando chegamos ao nosso destino, o cenário não poderia ser mais bonito: um sol lindo brilhando no céu e a grama verdinha com apenas alguns resquícios de neve derretendo. Descemos do ônibus e então partimos explorar o lugar.

Ok, inicialmente pode até parecer um bando de pedras no meio do nada que é um dos wallpapers do Windows, mas o lugar carrega uma história instigante e desconhecida. O Stonehenge é um círculo de pedras que data aproximadamente 3.000 a.C. As pedras chegam a ter cinco metros de altura e a pesar cinquenta toneladas. Como o círculo é patrimônio mundial da UNESCO e já chegou a sofrer atos de vandalismo, a segurança é muito reforçada e não é possível chegar "perto" ou até mesmo tocar nas pedras. Eu, uma pessoa muito ingênua, quando lembrava que ia visitar o Stonehenge, já me imaginava tirando fotos abraçada nas pedras. Doce ilusão a minha. Mas tudo bem, isso não vem ao caso. O que importa é que ninguém nunca conseguiu saber como aquelas pedras gigantescas e extremamente pesadas chegaram ali. O povo que o construiu logicamente não possuía nenhum equipamento ou tecnologia na época, e seria preciso dezenas e dezenas de homens para carregar apenas uma das pedras, que segundo cientistas, viajaram 240 milhas (cerca de 386km) para chegar até ali. 

Assim como sua origem, existem várias teorias sobre a serventia desse famoso círculo de pedras. Acredita-se que era usado para estudos astronômicos, mágicos, religiosos e até mesmo para rituais e sacrifícios. Há historiadores que dizem que o local era um ponto de encontro de civilizações para festivais e rituais anuais. Há quem diga que as pedras foram trazidas até ali pelo diabo (muahaha), outros afirmam que foi por Merlin. As lendas do Mediterrâneo dizem que o Stonehenge era um templo circular para o deus Apolo e, segundo a obra de Erik Von Daniken, "Was God An Astrounaut", o círculo de pedras foi construído por seres de outro planeta como um ponto de observação em torno da Terra. 

Teorias malucas a parte, o Stonehenge é um lugar muito interessante. Seja quem for que o tenha construído e para que, com certeza teve um trabalho danado. Ele obviamente está em ruínas (há desenhos e suposições de como era sua construção original), mas foi fascinante estar diante de um local tão misterioso e que com certeza carrega muitas histórias. Apesar do frio, senti uma paz interior ao observar a paisagem e ao ouvir histórias. O passeio foi incrível. Super recomendo!

"Stonehenge is the jewel in the crown, it is a miracle of engineering and a testament of faith left by people long gone, whose memorial in stone has outlived civilizations." (Romy Wyeth,  "The Stonehenge story: an excursion through time, myth and mystery") 

E para finalizar, umas fotos feitas por mim:











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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Voz

Os últimos dias foram de polêmica. Os insultos racistas ao goleiro Aranha por parte da torcida do Grêmio causaram vergonha. Causaram repulsa. Causaram expulsão. Causaram multa. Mas, acima de tudo, causaram a abertura de uma discussão que merece ser problematizada. Há quem diga que o Rio Grande do Sul tomou fama de racista. Realizando uma matéria sobre o assunto, recebi um depoimento que, sinceramente, deve ser compartilhado. E é por isso que eu estou fazendo essa postagem. Rozan Borges é gaúcho, alegretense, afro-descendente e estudante de Teatro na UFSM. 

Eu acho que a voz dele deve ser ouvida.


"Um estado colonizado em sua maior parte por europeus, reflexo da colonização da América Latina, têm seu alicerce cultural mais significativo nos costumes trazidos por esse povo. A influência cultural negra veio com os escravos, porém foi oprimida, ficando em segundo plano mesmo nas senzalas, onde os negros fingiam estar cultuando a imagem dos Santos da religião católica, com a imagem dos Deuses africanos atrás e executando seus ritos, como a capoeira, que era considerada crime e proibida até o século XIX, na ausência de seus donos. Essas ações, com o decorrer da história reverberaram impressões na aceitação e conscientização da população quanto à presença negra na sociedade, onde um branco, e muitas vezes também um negro, não conseguem reconhecer essa cultura negra como algo bom, bonito, assim como de certa forma reconhecem a cultura branca. 
Desse modo, acredito que não só o estado, mas também o país mantém um discurso de democracia racial inexistente, pois o negro é inconscientemente levado a cultuar costumes e a achar belo a estética eurocentrista. O simulacro da estética branca é um fato bastante presente em grande parte da população afro-descendente, onde o negro encontra a 'autoestima' e a 'aceitação' somente nesse contato, alisando seu cabelo, por exemplo, não lhe sendo confortável perante a sociedade apresentar-se mostrando e reafirmando a estética de seus ancestrais. 
A influência midiática brasileira tem papel fulcral nessa questão, pois ela não possibilita que o negro enxergue a sua realidade ali representada, a não ser de maneira clichê e estereotipada pela sua condição social. Tudo que é relacionado à cultura e a estética do negro ainda causam um estranhamento muito grande nas pessoas. O cabelo do negro é cabelo "ruim", a religião é "macumba" no sentido mais pejorativo que se possa imaginar, nariz de negro é nariz feio, "achatado" e assim por diante. Já sofri sim preconceito, desde o escrachado (o que tá me olhando negro?), até o velado, que se esconde em pequenas ações cotidianas. Ser perseguido pelo olhar do segurança do mercado, perguntas do tipo “como tu lava teu cabelo?” ou demorar a ser atendido em um bar ou loja do centro da cidade são algumas dentre várias. 
Em outro estado, creio que essas situações se repetiriam. Moro com um baiano - veja bem, a Bahia possuidora de uma população altamente negra - que me relata situações muito semelhantes e da mesma forma, recorrentes em seu estado. Essas questões, que não devemos jamais deixar de problematizar, infelizmente ainda estão fixadas na cabeça do povo brasileiro e intrínsecas à 'construção' da nossa sociedade."