quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

''Não basta apagar o fogo.'' (Allana Willers)

Sabe aqueles dias que você acorda com vontade de se divertir? Com vontade de sair, passar bons momentos ao lado dos amigos, esquecer os problemas. Esquecer o turbilhão de provas que você tem na outra semana ou a louça que está na sua pia ainda por ser lavada. Esquecer aquele garoto que te deixou mal, esquecer problemas financeiros ou simplesmente esvaziar a cabeça. Todos nós temos esse direito. Todo ser humano precisa buscar um refúgio quando precisa. Mas e se... E se você sai e acaba não voltando? Já imaginou sair para uma festa e aquela louça ficar te esperando para sempre? Ou nunca mais poder fazer as provas que estavam marcadas? Infelizmente, essa foi a realidade dos jovens que buscavam esse refúgio na boate Kiss em Santa Maria. 

Eu demorei a me sentir preparada para escrever sobre esse assunto. A dor tomou conta do coração de tantas pessoas que era quase impossível sair na rua e ver alguém sorrindo. Não havia motivos para sorrisos. Todas as pessoas carregavam a mesma expressão incógnita, é difícil descrever. Eu demorei a assimilar o tamanho e a gravidade do que tinha acontecido. É o tipo de coisa que você só vê pela TV. Nada nunca havia sido tão próximo de mim quanto isso. A mídia, deveras sensacionalista, informa, reforma, usa e abusa a seu favor. Os jovens se manifestam por justiça, a justiça busca os culpados e os culpados tentam enganar a mesma. A população chora em frente à televisão, os políticos se aproveitam do momento, mas... E as vítimas? Como ficam todos os seus sonhos interrompidos? 

Eu acho que o maior problema do brasileiro é não levar o próprio país a sério. Menores de 18 anos não podem beber, porém bebem. Menores de 18 anos não podem entrar em boates, porém entram. Menores de 18 anos não podem fumar, porém fumam. As pessoas deveriam usar cinto de segurança, porém não usam. Ou as leis são mudadas, ou elas são cumpridas. A mesma linha de pensamento serve para boates que funcionam ilegalmente com toda a papelada atrasada. O ''jeitinho brasileiro'' com certeza deve ser a maior escória do nosso país. ''Pra que fiscalizar a boate, ela está funcionando bem. '' Nunca ninguém imagina que algo ruim vá acontecer e, consequentemente, ninguém se previne. Ninguém leva a sério. 

Eis que uma vez eu estava em uma festa de formatura e encontrei a Rafaella Sanchotene. Ela disse que adorava o Quintessência e, infelizmente, ela perdeu a irmã nesse incêndio em Santa Maria. Eu gostaria de desejar muita força à ela e à toda sua família. Eu gostaria também de deixar os meus pêsames a todas as pessoas que perderam seus entes queridos nessa tragédia. Eu quero que vocês tenham força, quero que vocês nunca se abalem por nada, não importa o quão desesperadora a situação seja. A força necessária está toda dentro de vocês. 

Para finalizar, deixo abaixo um vídeo da Allana Willers, estudante de Jornalismo da UFSM, minha futura veterana de curso e infelizmente... Vítima da tragédia.


''Eu estarei com você, o meu pensamento estará em você, minhas orações irão lhe proteger, chegou a hora da vida viver.'' (Encontre a Liberdade, Planta e Raiz)

2 comentários:

Priih disse...

Eu estava pesquisando por um dos textos que a Allana havia escrito um tempo atrás, e acabei caindo no seu blog.
Não conheço ela e nenhuma das vítimas da tragédia, mas o sentimento de perda é inevitável... e a dor maior ainda.
Muito lindo o seu texto. Deveria ser compartilhado para que outros reflitam também e não apenas fechem os olhos e tapem os ouvidos para a nossa realidade.

Beijos.

Vitória disse...

Oi Prih! É verdade, o sentimento de perda é sempre muito difícil, não importa se a pessoa tinha conhecidos ou não. Obrigada, fico feliz que tenha gostado do texto. Se quiser mostrá-lo para teus amigos, já é de grande ajuda. Um beijo!