sábado, 17 de novembro de 2012

Caso Jean Charles de Menezes

Apesar de falar de um fato ocorrido em cenário londrino, esta postagem não fará parte da coluna intercâmbio por não ter relação nenhuma comigo. Hoje eu venho aqui para mostrar a vocês um documentário e um filme que assisti hoje à tarde. Eu lembro que quando eu estava em Londres, toda vez que andava de metrô, sentada no banco, eu ficava observando o mapa das estações e toda vez que meus olhos passavam por ''Stockwell'' eu lembrava o triste episódio que ocorreu por lá no ano de 2005. O brasileiro Jean Charles de Menezes foi executado pela polícia britânica por ter sido confundido com um terrorista no London Tube (metrô). Eu não tive a oportunidade de ir até à estação e visitar o memorial em homenagem à ele, até porque a nossa rotina por lá era muito corrida. Mas por alguma razão que ainda desconheço, eu gostaria de ter ido.
Assistindo ao filme ''Jean Charles'' e ao documentário da Discovery chamado ''O Assassinato de Jean Charles'', pude entender melhor o que se passou naquela manhã de Julho. Após uma série de ataques terroristas e tentativas frustradas de bombas na cidade, a polícia conseguiu pegar a mochila com explosivos de um terrorista chamado Osman Hussein. Foi um enorme infortúnio o fato de que em sua mochila havia um cartão de academia cujo endereço era exatamente do mesmo prédio onde Jean morava. Isso fez com que a polícia montasse uma operação em busca de suspeitos, que em minha opinião careceu de organização. Toda e qualquer pessoa que saísse do prédio era monitorada e vigiada ''clandestinamente'', e os policiais apenas tinham uma foto borrada de Osman para tentar reconhecê-lo. Quando Jean saiu atrasado de sua casa rumo ao trabalho, a polícia o seguiu durante todo o trajeto (incluindo um ônibus) até a estação de Brixton, que por azar estava fechada. E foi aí que Jean deu o único indício de que poderia vir a ser um terrorista: com a estação fechada, ele esbravejou e pegou outro ônibus até a estação de Stockwell, onde foi executado pela polícia armada britânica.
Em minha opinião, as circunstâncias realmente não estavam a favor de Jean e a polícia cometeu um equívoco imperdoável. É inacreditável como as coisas conspiraram contra o brasileiro: o endereço na mochila do verdadeiro terrorista, a estação fechada e até a idade: Jean tinha 27 anos, assim como Osman. Por mais que os ânimos estivessem à flor da pele em razão dos constantes atentados no Underground, a polícia não poderia simplesmente ter atirado fatalmente em um homem que, de acordo com as filmagens, entrava calmamente em uma estação de metrô, pegava seu jornal e se dirigia até o vagão para mais um trabalho. E digo por experiência própria: mesmo que ele estivesse apressado, mal-humorado ou demonstrando qualquer emoção suspeita, isso não seria um motivo para simplesmente matá-lo. Eu vivi apenas um mês em Londres, mas foi o suficiente para eu saber que as pessoas por lá estão sempre atrasadas e com pressa. Nos horários de pico, a maioria das pessoas usa o transporte público e uma rush hour é inevitável.
Outro ponto que causa raiva e deve ser analisado é que a polícia mentiu quando disse que tentou parar Jean e que ele não obedeceu. Em nenhum momento os policiais tentaram interceptá-lo, até porque precisavam de ordens para isso. E se isso tivesse acontecido, ele provavelmente ainda estaria vivo. Também foi dito que ele estava usando uma mochila, e por isso foi considerado suspeito. A verdade só foi vir à tona quando as imagens das câmeras da estação foram divulgadas: Jean usava apenas jaqueta e calça jeans, sem nenhum indício de coisas escondidas ou até mesmo fios. Não havia mochila nenhuma. Assim como também não houve boas intenções por parte dos policiais. E o que é mais revoltante: um inocente morto, sonhos destruídos, uma família sofrendo e ninguém foi punido.
Osman e Jean, respectivamente. Será que é possível confundir ou achar alguma semelhança entre essas duas pessoas?

Abaixo, deixo o trailer do filme ''Jean Charles'' e o documentário para que vocês possam tirar suas próprias conclusões. Assistam, vale a pena!

Documentário (6 partes):

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