segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pequenos Pensamentos: Rochas e Areias

"E aos poucos eu vou aprendendo a buscar entendimento apenas com aqueles que valem a pena.  O coração sempre fornece as coordenadas necessárias para que possamos diferenciar as pessoas boas daquelas que um dia serão levadas pelo vento. É como a areia e as rochas de uma praia: a areia é carregada pelas brisas e vai parar sabe Deus onde; já as rochas, essas não são arrancadas facilmente e porventura podem ser desgastadas por algo muito mais profundo e forte do que o vento: o mar." Vitória Londero

sábado, 17 de novembro de 2012

Caso Jean Charles de Menezes

Apesar de falar de um fato ocorrido em cenário londrino, esta postagem não fará parte da coluna intercâmbio por não ter relação nenhuma comigo. Hoje eu venho aqui para mostrar a vocês um documentário e um filme que assisti hoje à tarde. Eu lembro que quando eu estava em Londres, toda vez que andava de metrô, sentada no banco, eu ficava observando o mapa das estações e toda vez que meus olhos passavam por ''Stockwell'' eu lembrava o triste episódio que ocorreu por lá no ano de 2005. O brasileiro Jean Charles de Menezes foi executado pela polícia britânica por ter sido confundido com um terrorista no London Tube (metrô). Eu não tive a oportunidade de ir até à estação e visitar o memorial em homenagem à ele, até porque a nossa rotina por lá era muito corrida. Mas por alguma razão que ainda desconheço, eu gostaria de ter ido.
Assistindo ao filme ''Jean Charles'' e ao documentário da Discovery chamado ''O Assassinato de Jean Charles'', pude entender melhor o que se passou naquela manhã de Julho. Após uma série de ataques terroristas e tentativas frustradas de bombas na cidade, a polícia conseguiu pegar a mochila com explosivos de um terrorista chamado Osman Hussein. Foi um enorme infortúnio o fato de que em sua mochila havia um cartão de academia cujo endereço era exatamente do mesmo prédio onde Jean morava. Isso fez com que a polícia montasse uma operação em busca de suspeitos, que em minha opinião careceu de organização. Toda e qualquer pessoa que saísse do prédio era monitorada e vigiada ''clandestinamente'', e os policiais apenas tinham uma foto borrada de Osman para tentar reconhecê-lo. Quando Jean saiu atrasado de sua casa rumo ao trabalho, a polícia o seguiu durante todo o trajeto (incluindo um ônibus) até a estação de Brixton, que por azar estava fechada. E foi aí que Jean deu o único indício de que poderia vir a ser um terrorista: com a estação fechada, ele esbravejou e pegou outro ônibus até a estação de Stockwell, onde foi executado pela polícia armada britânica.
Em minha opinião, as circunstâncias realmente não estavam a favor de Jean e a polícia cometeu um equívoco imperdoável. É inacreditável como as coisas conspiraram contra o brasileiro: o endereço na mochila do verdadeiro terrorista, a estação fechada e até a idade: Jean tinha 27 anos, assim como Osman. Por mais que os ânimos estivessem à flor da pele em razão dos constantes atentados no Underground, a polícia não poderia simplesmente ter atirado fatalmente em um homem que, de acordo com as filmagens, entrava calmamente em uma estação de metrô, pegava seu jornal e se dirigia até o vagão para mais um trabalho. E digo por experiência própria: mesmo que ele estivesse apressado, mal-humorado ou demonstrando qualquer emoção suspeita, isso não seria um motivo para simplesmente matá-lo. Eu vivi apenas um mês em Londres, mas foi o suficiente para eu saber que as pessoas por lá estão sempre atrasadas e com pressa. Nos horários de pico, a maioria das pessoas usa o transporte público e uma rush hour é inevitável.
Outro ponto que causa raiva e deve ser analisado é que a polícia mentiu quando disse que tentou parar Jean e que ele não obedeceu. Em nenhum momento os policiais tentaram interceptá-lo, até porque precisavam de ordens para isso. E se isso tivesse acontecido, ele provavelmente ainda estaria vivo. Também foi dito que ele estava usando uma mochila, e por isso foi considerado suspeito. A verdade só foi vir à tona quando as imagens das câmeras da estação foram divulgadas: Jean usava apenas jaqueta e calça jeans, sem nenhum indício de coisas escondidas ou até mesmo fios. Não havia mochila nenhuma. Assim como também não houve boas intenções por parte dos policiais. E o que é mais revoltante: um inocente morto, sonhos destruídos, uma família sofrendo e ninguém foi punido.
Osman e Jean, respectivamente. Será que é possível confundir ou achar alguma semelhança entre essas duas pessoas?

Abaixo, deixo o trailer do filme ''Jean Charles'' e o documentário para que vocês possam tirar suas próprias conclusões. Assistam, vale a pena!

Documentário (6 partes):

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Coluna Intercâmbio #04 - London Eye


Eu lembro perfeitamente da primeira vez que a vi. A temperatura estava muito baixa e eu estava sentada em um banco de trem. Consegui avistar pela janela apenas uma parta de sua circunferência e meu coração começou a bater um pouquinho mais forte. O dia estava muito nublado e quando coloquei os pés para fora pude sentir o nada caloroso clima londrino. Fui saindo da estação de Waterloo e quanto mais eu caminhava, mais perto eu me aproximava da grandiosa e exuberante London Eye.

Também conhecida como A Roda do Milênio, esse maravilhoso ponto turístico possui 135 metros de altura, fica na margem sul do Rio Tâmisa (Londres) e foi construído em 1999 para aguardar a chegada do novo milênio. A London Eye demorou 16 meses para ser erguida e possibilita uma vista completa de toda a cidade de Londres. Ela possui 32 cabines e demora 30 minutos para dar uma volta completa. Eu tive a chance de andar nessa maravilhosa roda-gigante e acreditem: foi uma das experiências mais inesquecíveis da minha vida! É possível localizar inúmeros pontos da cidade bem do alto, e eu pude tirar várias fotos maravilhosas.

Primeiro de tudo, quem compra o ticket para andar na London Eye pode assistir a um pequeno filme em 4D que é uma espécie de "turnê pelo espaço aéreo da cidade". É realmente muito divertido e serve para que você já entre no clima. Logo após, é só ir para a fila das cabines e desfrutar de um passeio perfeito. É impossível ter medo de altura quando se anda na segunda maior roda-gigante do mundo. A paisagem é tão linda que você esquece que está a dezenas de metros de altura do chão.


Vídeo feito por mim de dentro da cabine da London Eye.

Abaixo, fiquem com fotos tiradas por mim da London Eye e de algumas vistas que eu pude registrar de dentro da roda-gigante mais maravilhosa do mundo!




















quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Furioso Voltou Para Casa


Hoje eu estava voltando da escola quando encontrei um cachorro São Bernardo deitado perto da porta do prédio onde moro. Ele estava muito sujo, sarnoso e bastante fraco. Eu simplesmente adoro cães e eu senti que precisava ajudar aquele que estava ali, desamparado e sofrendo muito. Alguns minutos depois, duas mulheres vieram falar comigo e contaram que a dona do Furioso, nome dado ao cão por se extremamente dócil e manso, tinha o encontrado hoje e iria logo voltar para buscá-lo. Ficamos esperando algum tempo e a moça finalmente chegou, muito triste por não ter conseguido um carro para levar o Furioso para casa (que ficava MUITO longe). 

Conversa vai, conversa vem, ela contou uma história surpreendente: o cão tinha sido roubado de sua casa há um ano, quando ele tinha apenas três meses! Ela nunca soube o paradeiro do Furioso e, hoje, por um acaso, encontrou o animalzinho vagando pela rua. Como minha cidade é muito pequena, o cachorro já era bem conhecido no meu bairro. As pessoas sempre o alimentavam, davam água e ontem mesmo a ONG OPAA (Organização Protetora dos Animais de Alegrete) tinha vacinado o cão. Surpreendentemente, eu nunca tinha visto o Furioso por aqui! E o mais curioso é que nesse ''primeiro encontro'', eu já podia ajudá-lo. Um momento que me marcou bastante foi quando a moça chorou ao abraçar o Furioso. Isso demonstrava que ela realmente gostava e sentia saudades dele!

Meu pai chegou alguns minutos depois e nós nos oferecemos para levar a moça e o cachorro para casa. Ao chegarmos lá, ela agradeceu muito e disse que tínhamos feito a boa ação do ano. Eu me senti extremamente bem em ter ajudado aquela pessoa e aquele pobre animal. Foi um ato simples, mas que fez muito bem ao meu coração, e sei que hoje, quando eu deitar a minha cabeça no travesseiro, vou lembrar do que fizemos e vou sentir que o meu dia valeu a pena. Eu não sei o nome da dona do Furioso, ela também não sabe o meu nome e eu nem tirei uma foto dele sequer. Mas esse episódio vai ficar marcado pra sempre na minha lembrança.

E aqui vai a minha dica: qual é a razão de roubar um cão que está vivendo bem para depois abandoná-lo a própria sorte? Isso não tem nexo algum e uma pessoa que faz isso só pode ter um coração de pedra e um cérebro inexistente. Um animalzinho não é brinquedo. Ele depende dos donos para viver, comer e ter uma vida digna. Ele é da nossa responsabilidade!

A foto dessa postagem é em homenagem ao meu cão chamado Toddy, que não mora mais comigo e que eu sinto uma enorme saudade.