quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Reforma do Ensino Médio: Uma Esperança a Menos

A educação pede socorro. É absolutamente lamentável a situação que as escolas públicas do estado do Rio Grande do Sul (e em breve do país inteiro) estão vivendo. Eu, como aluna de uma escola estadual, quero comentar sobre uma coisa que não irá me afetar porque já estou no 3º ano do ensino médio, mas que com certeza irá fazer uma enorme diferença na vida dos jovens que ainda precisam passar pelos três anos mais importantes de uma trajetória escolar.

A reforma do EM caiu como uma bomba no nosso estado e as escolas públicas estão tendo que adotar esse ''novo método'' de ensino. Aqui vai uma breve explicação sobre a ''PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO'': consiste em uma perspectiva de adequar as escolas públicas às necessidades das empresas. Mas como assim? É simples: querem acabar com todo o nosso preparo para o vestibular e com as mínimas chances que possuímos de ingressar em uma universidade através do ensino da rede pública. A base desta reforma é preparar o jovem para o mercado de trabalho, e assim, gerar mão-de-obra barata aos montes. Veja abaixo um trecho da manifestação do CPERS:

''As mudanças, justificadas a partir de um suposto "fracasso do atual modelo educacional”, irão rebaixar ainda mais o nível de ensino. Os níveis mais especializados de conhecimento serão retirados do ensino médio das escolas públicas e passarão a ser exclusividade ainda maior de setores privados do ensino. Haverá uma maior dissolução de conteúdos e empobrecimento cultural. A "qualificação" de mão de obra a serviço dos diversos ramos empresariais se transforma no grande objetivo pedagógico do ensino médio. As empresas poderão dispor até de estágios, inclusive não remunerados, de seus futuros trabalhadores. Tudo isso vem mascarado no projeto do governo pelo mito de uma adequação ao "mundo do trabalho"!''

Eu fiquei totalmente abismada com isso. As escolas públicas já possuíam um certo nível de precariedade, e com essa proposta, elas passarão a praticamente jogar os jovens no mercado de trabalho com uma formação ''meia-boca'' que apenas irá beneficiar empresas que precisam de mão-de-obra barata. O que vai ser do futuro dos nossos jovens? Dos nossos filhos? Dos nossos netos? Onde vão estar as chances das pessoas de baixa renda de ingressar em uma universidade pela rede pública de ensino? É isso o que o Brasil está se tornando: uma máquina de formar pessoas ignorantes e desqualificadas. E o pior de tudo é que o nosso estado está servindo como ''cobaia'' para essa barbaridade que pretende se estender pelo país inteiro.

O que me deixa mais desanimada é que os jovens não estão dando importância para isso. Nós é que deveríamos lutar para que essa situação mude. Nós é que deveríamos sair nas ruas, protestar e lutar por uma educação melhor, pois é a nossa geração que está sendo prejudicada, assim como as futuras também serão. Mas está claro que o futebol, a festa e os compartilhamentos supérfluos no Facebook são mais importantes que o futuro da nossa educação. 

O Brasil que irá sediar a Copa e as Olimpíadas constrói estádios, arenas, reforma aeroportos e faz de tudo para aparentar um desenvolvimento que está extremamente longe de acontecer. Está na hora de acordar, meus caros.

Entenda melhor a reforma do Ensino Médio

Um comentário:

Bruna Fernanda disse...

Olá Vitória, tudo bem? Nossa, eu adorei suas observações sobre o novo modelo de ensino médio que estão querendo emplementar no Brasil. Não sei se você sabe, ou se tem ai na sua cidade, existe os Institutos Federais de Educação e Tecnologia... Eu estudo em um, aqui em Mato Grosso. E nosso ensino médio e justamente como o que querem ser implantado. Ensino médio integrado ao um curso técnico, no meu caso, faço meio ambiente. Realmente, é um curso MUITO BOM, com ótimos professores, mas lembrando, que é uma instituição federal... Não sei como seria em uma estadual. O fato é, que vc está certa na hora que disse que prejudicará os alunos que pretendem entrar em uma faculdade, pois, sou prova viva disso. Meu curso (junto com ensino médio) tem duração de 4 anos, (teoricamente, ja perco um ano), além de que, muitas matérias essenciais, fica de fora por conta do ensino técnico. Só tive história,artes... até o segundo ano. Filosofia? Só no terceiro e foi "meia boca". Além das matérias serem voltadas ao meu curso técnico. Resultado: Meu ultimo ano,(além da greve, que me prejudicou MUITO) tive que pagar cursinho, pra me preparar para o ENEM. Saia as 10h da manhã de casa, só voltava as 23h...
Fico muito revoltada esses tipos de medidas ... O Brasil não pode pensar desse jeito, existe outras formas melhores para uma adequação no ensino brasileiro. Isso precisa ser olhado com muito cuidado, afinal,não é só o futuros desses jovens que estão em jogo, é o futuro do país também está.