quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coluna Intercâmbio #02

Nesta primeira postagem do Coluna Intercâmbio, irei começar contando como surgiu a oportunidade de eu ir viajar para Inglaterra e como tudo foi decidido. Aconteceu em meados de Junho/Julho de 2011. Eu sempre tive vontade de sair do país, explorar o desconhecido e saber como é o mundo lá fora. Foi quando em uma noite fria durante mais uma aula de inglês que surgiu o comentário que uma agência de Porto Alegre estaria visitando nossa escola para fazer uma reunião apresentando os programas de intercâmbio para 2012.  Eu fiquei super animada e já cheguei em casa contando para meus pais a novidade. Por conta de alguns compromissos urgentes, infelizmente minha família não pode comparecer à reunião e eu lembro que fiquei bem chateada.

Alguns dias se passaram e a equipe da escola teve a brilhante ideia de fazer uma reunião para repassar os assuntos do encontro com a agência especialmente para as pessoas que não puderam comparecer. Foi aí que as minhas esperanças reacenderam. Nós tínhamos dois destinos possíveis: Canadá ou Inglaterra. Por motivos óbvios, quase o grupo todo optou pela famosa e linda Londres, que além de passar um mês em um país maravilhoso, ainda aproveitaríamos o último final de semana em Paris. Depois dessa decisão, as coisas só ficavam cada vez melhores e eu mal podia acreditar que dentro de alguns meses eu estaria do outro lado do Atlântico. Nunca vou esquecer do que eu senti quando preenchi a ''ficha de inscrição'' para fechar o grupo de intercambistas: perfeito!

Os dias, semanas e meses foram passando e os preparativos iam começando aos pouquinhos. A primeira coisa foi tirar o bendito passaporte! Tive que viajar para outra cidade porque em Alegrete infelizmente não há como. Essa é uma das desvantagens de morar em cidade pequena! Viajei para fazê-lo e depois para retirá-lo. Quando eu estava com meu passaporte em mãos, já estava me sentindo tão feliz e eufórica... Parecia que eu iria embarcar logo no outro dia!

Quando 2012 chegou, eu mal podia acreditar que em menos de um mês eu estaria viajando. É muito engraçado como o tempo passou tão rápido mas ao mesmo tempo tão devagar... A virada do ano foi algo muito marcante para mim. A minha ficha não caiu, e sim ficou espatifada no chão. Um novo ano começava, juntamente com uma das experiências mais importantes da minha vida. Umas duas semanas antes de eu embarcar eu já estava arrumando minhas malas. O mais engraçado foi sair nas lojas em pleno Janeiro procurando por meias, moletons, tênis quentinhos e coisas de inverno. Um dia antes de partir, finalmente fechei minhas bagagens e esperei que o dia 28 de Janeiro chegasse.


Acordei muito cedo naquele dia para terminar de arrumar algumas coisinhas que faltavam. A coisa mais linda foi que logo de manhã minhas amigas vieram em minha casa fazer uma última visita e me desejar boa sorte! Ganhei até um urso de pelúcia e um diário de viagem. Foi maravilhoso e eu agradeço muito a elas por isso! Depois de almoçar, disse um ''adeus'' para minha casa e parti rumo à Porto Alegre, Aeroporto Salgado Filho. Depois de uma viagem de aproximadamente 6 horas, cheguei no lugar combinado e o pessoal do grupo estava chegando aos poucos. Ficamos ali reunidos conversando até que a hora do embarque chegou.


Tiramos uma foto com o grupo todo (que vocês podem ver acima) e partimos para a despedida, que sempre é cruel. Vários pais choraram ao deixar seus filhos, inclusive a minha mãe que se derreteu em lágrimas. Eu confesso que também chorei. Despedidas sempre são difíceis, não importa a situação. Saber que eu iria ficar 1 mês longe de casa foi algo um pouco difícil naquele momento, mas logo depois me acostumei com a ideia e quando coloquei o primeiro pé dentro do avião, já estava pronta para começar uma grande aventura.

O voo foi super tranquilo. Pela manhã, chegamos em Lisboa e eu coloquei meus pés na Europa pela primeira vez. Ficamos no aeroporto almoçando e esperando a hora do voo para Londres chegar. Este segundo voo também foi calmo, e eu realmente senti o espírito britânico quando o avião estava quase pousando no Heathrow Airport: o céu acinzentado de Londres tomou conta de tudo, e as luzes da cidade começaram a aparecer. Foi uma sensação maravilhosa! Eu mal podia acreditar.

No entanto, nada se compara ao frio na barriga que eu senti quando estava indo para a casa de família. Estava bastante frio e à medida que o carro entrava na rua eu comecei a reconhecê-la porque, dias antes, eu tinha ido achar a casa que eu ia ficar no Google Maps. Foi algo muito surreal quando eu percebi que eu estava realmente ali, no lugar que parecia tão distante há uma semana atrás... Nós apertamos a campainha e então a Ms Sue abriu a porta com um mega sorriso no rosto olhando pras nossas malas e dizendo: ''Wooah, vocês realmente vieram para um mês!". E foi aí que tudo começou. Fico emocionada quando lembro disso. Eu simplesmente demorei muito para pegar no sono naquela noite. Eu não conseguia acreditar que eu estava ali, deitada em uma casa totalmente estranha... Eu não estava com medo nem com saudades de casa, foi uma sensação que eu não consigo explicar. Os meus pensamentos não paravam de borbulhar por um segundo. Por mais que eu estivesse cansada da viagem de avião e tudo mais, foi muito difícil conseguir dormir na primeira noite.

Para encerrar a postagem, fiquem com os dois primeiros depoimentos no meu Diário de Viagem:

28 de Janeiro de 2012

''Estou dentro do avião. Apesar de não ter dormido nada na noite passada, estou me sentindo bem agora. A viagem de carro foi tranquila e chegamos rápido de Porto Alegre. Tudo está certo até agora! Houveram alguns sustinhos, mas no final tudo se ajeitou. Despedidas sempre são tristes. Mas tenho certeza que eu vou ter o mês mais incrível da minha vida. A mãe não conseguiu se conter e acabou chorando no aeroporto e eu acabei derramando lágrimas também. Uma observação: esse avião é enorme! A tripulação portuguesa é uma graça. Hora de jantar ao som de Adele. Minha jornada está apenas começando.

Vitória''

29 de Janeiro de 2012

''M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! O dia hoje foi cansativo, porém, adorei cada minuto. Por volta das 10:40 nós pousamos em Lisboa e eu coloquei meu primeiro pé em solo europeu! Comemos no Mc Donalds e o voo para Londres começou. O mais impressionante foi que, ao nos aproximarmos da cidade, o tempo simplesmente FECHOU. Aterrizamos às 5:00 da tarde e o céu estava completamente escuro. Era noite! Depois, fomos para a sala de imigração e entramos no país. Nosso grupo e mais uma chuva de asiáticos! Ao sairmos no desembarque, fomos para a casa de família. A Renata e eu estávamos nervosas no começo, mas a Ms Sue é muito simpática e a família é maravilhosa. Estou adorando! Amanhã será nosso primeiro dia de aula e eu mal posso esperar.

Vitória'' 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Coluna Intercâmbio #01: Apresentação


Como algumas pessoas já sabem, eu passei um mês na Europa no início deste ano, visitando a Inglaterra e a França. Fui no final de Janeiro e retornei ao Brasil no final de Fevereiro, já no início das aulas. Seis meses antes de eu viajar eu já estava tão ansiosa que fiz um blog para compartilhar os preparativos da viagem, o Sweet London Dream. Eu planejava usá-lo como uma espécie de diário enquanto estivesse fora, contando tudo que acontecia e os lugares que eu visitava. Infelizmente a minha rotina em Londres era muito intensa e eu não tinha tempo para fazer textos bem elaborados ou postar todos os dias, então acabei fazendo apenas duas postagens direto da Inglaterra.

Depois desse tempo todo, decidi que quero retomar esse assunto e compartilhar com todos vocês as minhas experiências fora do Brasil. Vou começar uma espécie de ''coluna'' diferente aqui no blog. Irei fazer postagens falando dos lugares que visitei, mas não irei contar apenas o que achei deles e o que vivenciei: vou contar a história do lugar e também trazer várias curiosidades e muitas fotos tiradas por mim. Cada postagem terá um único tema, certo? Por exemplo: se for o Stonehenge, irei falar apenas sobre ele.

Confesso que estou ansiosa para começar e espero de verdade que todos vocês gostem! Se tiverem alguma dúvida sobre intercâmbio, viagens ou qualquer outra coisa, deixem uma pergunta nos comentários e para os mais tímidos, acessem o meu Ask.fm..

Até a próxima! ;)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

''Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo.''


Eu geralmente não aprecio muito assistir filmes brasileiros, e são raros os que realmente conseguem chamar a minha atenção. Porém, há um filme um pouquinho velho que eu assisti há pouco tempo e que eu gostei muito. É a belíssima obra dirigida por Jayme Monjardim em 2004: Olga.

Quando o filme estreou nas salas de cinema eu ainda era muito pequena e não fiquei interessada, até porque não iria entender a história e não conhecia o que estava se passando na época do filme. Afinal, o que uma criança de 8 anos iria entender sobre a Segunda Guerra Mundial e a Intentona Comunista? Os anos correram e em 2012, depois de uma aula de história sobre a Era Vargas e a sugestão de um professor, lá fui eu alugar o filme Olga. Eu assisti uma vez, depois assisti de novo, refleti e cheguei a conclusão de que esse filme é, na minha opinião, a melhor produção brasileira de todos os tempos.

Olga Benário foi uma alemã de origem judaica, comunista e cheia de sonhos e ideais. Ela deixou a família ainda muito jovem em Munique, na Alemanha, e partiu para Berlim. Fez parte do Partido Comunista Alemão e foi presa juntamente com seu namorado Otto Braun, os dois sendo acusados de traição à Pátria. Olga foi solta, entretanto, seu namorado ainda continuou na cadeia. Ela então planeja um assalto à prisão de Moabit e consegue libertar Otto. Os dois fogem para a União Soviética mas se separam em 1931. Lá, Olga recebe treinamento político-militar e trabalha como instrutora na Seção Juvenil da Internacional Comunista.

O filme realmente começa quando Olga recebe a missão de ser guarda-costa do brasileiro e também comunista Luís Carlos Prestes, que finalmente tinha sido aceito no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e estava exilado na União Soviética. Ambos fingem ser um casal português para conseguirem viajar até o Brasil na clandestinidade, mas acabam se apaixonando e a farsa se torna realidade. Chegando no Rio de Janeiro, os planos vão por água abaixo e se dá o que ficou conhecido como a Intentona Comunista: Vargas declara a ANL ilegal e vários comunistas começam a ser presos, até que Olga e Luís são separados e ela é deportada para a Alemanha de Hitler, grávida e em condições precárias nos porões de um navio. Minha narração do filme termina aqui pois não quero dar spoiler sobre o final. Mesmo que o filme seja antigo e conhecido, é bem provável que existam pessoas que ainda não viram e tampouco conhecem a história da brava Olga.

Há dois motivos fortes que fizeram com que eu gostasse muito do filme. O primeiro deles é, com certeza, a história de vida de uma mulher que lutou contra tudo e todos por seus ideais, sofreu, foi separada de quem amava e mesmo assim nunca perdeu a vontade de viver e de mudar o mundo. Acho que Olga é um exemplo para todos nós. Não devemos deixar de lutar por aquilo que queremos, e é de se comparar a época em que ela vivia e o tempo que vivemos hoje: não havia liberdade de expressão, as pessoas eram submissas. Hoje, possuímos tantos recursos para compartilhar nossos pensamentos e ideias, e mesmo assim muitas pessoas desistem do que realmente querem.

O segundo motivo é a atuação e a produção que o longa-metragem possui. Olga é interpretada pela atriz Camila Morgado, que honestamente deu um show de atuação, fez um trabalho maravilhoso e com certeza merece destaque. As cenas são muito bem feitas e é impossível não ficar compenetrado em frente a televisão. Por ser um filme brasileiro, Olga é nota dez.

Abaixo, deixo a última carta que Olga escreveu ao marido e a filha no campo de concentração de Ravensbrück (contém spoiler): 

''Queridos: 

Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica... Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. 

Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Corformar-me-ia, mesmo que não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver-me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha? 

Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não consegu em alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nos últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijo-os pela última vez. 

Olga'' (ABRIL, 1942)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Reforma do Ensino Médio: Uma Esperança a Menos

A educação pede socorro. É absolutamente lamentável a situação que as escolas públicas do estado do Rio Grande do Sul (e em breve do país inteiro) estão vivendo. Eu, como aluna de uma escola estadual, quero comentar sobre uma coisa que não irá me afetar porque já estou no 3º ano do ensino médio, mas que com certeza irá fazer uma enorme diferença na vida dos jovens que ainda precisam passar pelos três anos mais importantes de uma trajetória escolar.

A reforma do EM caiu como uma bomba no nosso estado e as escolas públicas estão tendo que adotar esse ''novo método'' de ensino. Aqui vai uma breve explicação sobre a ''PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO'': consiste em uma perspectiva de adequar as escolas públicas às necessidades das empresas. Mas como assim? É simples: querem acabar com todo o nosso preparo para o vestibular e com as mínimas chances que possuímos de ingressar em uma universidade através do ensino da rede pública. A base desta reforma é preparar o jovem para o mercado de trabalho, e assim, gerar mão-de-obra barata aos montes. Veja abaixo um trecho da manifestação do CPERS:

''As mudanças, justificadas a partir de um suposto "fracasso do atual modelo educacional”, irão rebaixar ainda mais o nível de ensino. Os níveis mais especializados de conhecimento serão retirados do ensino médio das escolas públicas e passarão a ser exclusividade ainda maior de setores privados do ensino. Haverá uma maior dissolução de conteúdos e empobrecimento cultural. A "qualificação" de mão de obra a serviço dos diversos ramos empresariais se transforma no grande objetivo pedagógico do ensino médio. As empresas poderão dispor até de estágios, inclusive não remunerados, de seus futuros trabalhadores. Tudo isso vem mascarado no projeto do governo pelo mito de uma adequação ao "mundo do trabalho"!''

Eu fiquei totalmente abismada com isso. As escolas públicas já possuíam um certo nível de precariedade, e com essa proposta, elas passarão a praticamente jogar os jovens no mercado de trabalho com uma formação ''meia-boca'' que apenas irá beneficiar empresas que precisam de mão-de-obra barata. O que vai ser do futuro dos nossos jovens? Dos nossos filhos? Dos nossos netos? Onde vão estar as chances das pessoas de baixa renda de ingressar em uma universidade pela rede pública de ensino? É isso o que o Brasil está se tornando: uma máquina de formar pessoas ignorantes e desqualificadas. E o pior de tudo é que o nosso estado está servindo como ''cobaia'' para essa barbaridade que pretende se estender pelo país inteiro.

O que me deixa mais desanimada é que os jovens não estão dando importância para isso. Nós é que deveríamos lutar para que essa situação mude. Nós é que deveríamos sair nas ruas, protestar e lutar por uma educação melhor, pois é a nossa geração que está sendo prejudicada, assim como as futuras também serão. Mas está claro que o futebol, a festa e os compartilhamentos supérfluos no Facebook são mais importantes que o futuro da nossa educação. 

O Brasil que irá sediar a Copa e as Olimpíadas constrói estádios, arenas, reforma aeroportos e faz de tudo para aparentar um desenvolvimento que está extremamente longe de acontecer. Está na hora de acordar, meus caros.

Entenda melhor a reforma do Ensino Médio