segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Que é Preciso para Constuir uma Bomba Nuclear?


Hoje venho aqui para falar sobre um assunto que vem sendo discutido com frequência. É do conhecimento de todos que uma bomba nuclear pode aniquilar seu inimigo com um piscar de olhos e não se trata só disso: uma arma como essa permite que um país tome seu lugar no palco mundial. Até agora, apenas oito países já detonaram bombas nucleares e alguns ainda são suspeitos de possuí-las ou tentar desenvolvê-las. Esse é um caso do Irã, apesar do país afirmar com veemência que seu programa nuclear tem apenas propósitos pacificadores (o que na minha opinião é um tanto improvável).

Mesmo com uma tecnologia muito avançada, tornar-se uma nação nuclear não é uma tarefa fácil. Isso envolve persistência, decepções e anos de trabalho duro. Mas o que é preciso para construir uma bomba nuclear? Baseando-me em um artigo da BBC, trago abaixo 10 passos indispensáveis na criação de uma.

Passo 1: Escolha seu isótopo

Toda nação que almeja construir uma bomba nuclear precisa juntar seus cientistas, engenheiros e técnicos. Esse time irá saber tudo sobre como funciona um trabalho nuclear baseando-se em um único princípio: quando um núcleo pesado de um átomo se parte, ele converte uma pequena parte de massa em energia pura. Explosões nucleares são acionadas através de uma reação em cadeia descontrolada em um grande bloco de material, onde cada nova separação provoca mais divisões, liberando mais energia. Felizmente, a maioria dos materiais radioativos não pode sustentar a reação em cadeia. Os isótopos mais comuns que podem são o Urânio-235 e o Plutônio-239 (o último não é encontrado na natureza, então o Urânio é a escolha natural da maioria dos países).

Passo 2: Consiga Urânio

Pode soar uma piada, mas esse é o passo mais fácil. O Urânio é comercializado em todo o mundo e é vendido em uma forma de pó chamada ''bolo amarelo''. Alguns países como o Irã decidiram ir sozinhos e produzirem seu próprio pó amarelo. Infelizmente, comprar em massa tem suas consequências. No Katazoprom - Cazaquistão (maior fornecedor de urânio do mundo), só é encontrado Urânio-238, um isótopo natural que não sustenta nenhuma reação nuclear. Apenas 0,710% é de Urânio-235 e mesmo a mais simples arma nuclear necessita de 50kg de 90% Urânio-235 puro. Além disso, ele precisa ser armazenado, o que significa que o país precisa pensar em construir um complexo nuclear.

Passo 3: Começar a Processar

Para deixar o Urânio-235 útil, uma equipe precisará separar os isótopos. Quimicamente, o Urânio-235 e o Urânio-238 são idênticos. A única forma de separá-los é por suas massas (o 238 tem mais três nêutrons e, portanto, é um pouquinho mais pesado). A técnica mais eficiente é girar o Urânio dentro de uma centrífuga, mas isso pode causar uma bagunça. Para ter o bolo amarelo em uma forma gasosa mais útil, uma equipe de pesquisadores em casacos brancos segue uma simples receita: aqueça-o para queimar as impurezas, e depois exponha-o ao fluoreto de hidrogênio para tornar o Urânio tetrafluoreto. Aqueça o tetrafluoreto de Urânio de novo em um forno preenchido com gás de flúor, e com um pouco de sorte você obterá hexafluoreto de urânio gasoso.

Passo 4: Roube Algumas Partes

Agora, é hora de conseguir uma centrífuga para separar o Urânio-235 do Urânio-238. Para separar minúsculas massas atômicas é preciso de algo que gire dezenas de milhares de vezes por minuto. Centrífugas são tecnologias difíceis de serem dominadas e nenhum país ''iniciante'' deve contar com a ajuda de uma potência nuclear. Por isso, há uma organização conhecida como Nuclear Suppliers Group e é através dela que os países cuidadosamente exportam partes e designs de centrífugas.

Passo 5: Enriquecer

Independentemente de como eles fazem, um país irá precisar de milhares de centrífugas. Elas precisam ser amarradas juntas em ''cascatas'' que podem enriquecer o gás hexafluoreto de urânio feito anteriormente. Passando hexafluoreto de cascata para cascata, o Urânio-235 começará a se acumular lentamente. O Irã tem trabalhado no processo de enriquecimento desde o ano 2000 e em Fevereiro de 2010 disse que tinha começado o processamento de Urânio para enriquecimento de 20%. É um tedioso processo que leva meses para acabar, e pode ficar ainda mais devagar por conta de acidentes e sabotagem. Um poderoso vírus de computador chamado Stuxnet fez com que centenas de centrífugas do Irã girassem à parte. Contudo, se um país usar as centrífugas sabiamente, pode-se obter Urânio-235 suficiente para uma bomba em apenas um ano.

Passo 6: Comece um Projeto

Enquanto um país está esperando pelo Urânio enriquecer, é preciso começar a pensar em um projeto de bomba. Primeiro, é preciso saber o objetivo da arma nuclear. Se for um objeto de terror furtivo ou um dispositivo que irá sustentar a reputação interna de um regime instável, então uma arma tipo pistola é a melhor forma. Um dispositivo de arma pode ser facilmente feito partindo de um barril de artilharia velho que vai, literalmente, disparar duas massas críticas do urânio em conjunto. Exige mais do que duas vezes o material de uma arma nuclear padrão, e não pode caber facilmente em um míssil. Mas a arma tipo revólver, é garantido que funcione na primeira tentativa.

Se, por outro lado, o regime está procurando construir uma arma que possa ser lançada rapidamente, então uma arma de implosão é melhor. Armas de implosão funcionam embalando explosivos em volta de uma esfera de Urânio-235. Detonar os explosivos simultaneamente irá espremer a esfera até ela atingir uma massa crítica. Para fazê-la funcionar exige um tempo preciso e um nêutron ''detonador'' que irá dar à arma um ''empurrão'' no momento certo. Mas as vantagens são de que as armas de implosão usam menos material e podem se encaixar no topo de um míssil. Evidências coletadas pela International Atomic Energy Agency sugerem que o Irã tem trabalhado em armas de implosão.

Passo 7: Manufaturar

Nesta fase, o país já precisa ter o seu projeto e o Urânio-235 enriquecido, mas ainda não chegamos lá. Primeiro, uma equipe de cientistas precisa passar o Urânio gasoso para a forma de metal. Uma simples receita usando água, ácido fluorídrico e magnésio faz o truque. Com o metal pronto, ele precisa tomar a forma desejada: duas metades de uma esfera para a arma de implosão ou discos para uma arma tipo pistola.  Mas eles terão que tomar cuidado para não trabalhar muito de uma vez. Se você fizer algo errado nessa fase há um risco de um acidente de criticidade. Não vai ser uma explosão nuclear completa, mas a explosão será poderosa o suficiente para destruir a oficina e, provavelmente, dar a qualquer pessoa trabalhando no dispositivo uma dose fatal de radiação.

Passo 8: Desenvolver um Sistema de Entrega

Uma arma nuclear não é útil a menos que haja uma forma de entregá-la para o inimigo (idealmente longe do ponto de lançamento). Misseis de curto alcance podem ser comprados de países como a Coreia do Norte. Mas mísseis de longo alcance são altamente controlados, e tentar construir um pode ser mais difícil do que construir a própria arma nuclear. Alternativas incluem armas lançadas por submarinos e misseis de cruzeiros, que são ainda mais complexos, e bombardeiros. Essa última opção, embora lenta e vulnerável, é provavelmente a melhor aposta tecnológica para uma nação iniciante.

Passo 9: Teste

Mesmo que um país construa uma simples arma tipo pistola, é válido conduzir um teste nuclear. Nos dias de hoje, os testes são feitos subterraneamente para conter o vazamento de radioatividade, então isso requere cavar um buraco ou encontrar uma mina abandonada que possa ser preenchida com pedras e cascalho. O resultado não será uma nuvem de cogumelo, mas ainda vai ser notado. A Comprehensive Test Ban Treaty Organisation em Viena dispõe de uma rede global de sismógrafos sensíveis e detectores de radionuclídeos que podem pegar até mesmo as menores explosões nucleares.

Passo 10: Desfrute das Sanções do seu Trabalho

Até agora o país aspirante nuclear dedicou anos de esforço e muitos milhões de dólares para seu programa nuclear. Você pode pensar que todo esse trabalho ganharia elogios, mas é muito mais provável ser golpeado com algumas penalidades graves. Após a Coreia do Norte realizar seu primeiro teste nuclear em outubro de 2006, a UN impôs sanções paralisantes, que trouxe a economia do país para baixo. O Irã, da mesma forma, enfrenta a ameaça de sanções, caso ele não abra a sua pesquisa nuclear aos inspetores internacionais.

Créditos: BBC / Tradução: Vitória Londero

3 comentários:

Shou disse...

Bom, agora posso começar meu projeto e construir minha bombinha pra jogar em certos points por aí.
Deveras edificante a vossa postagem, srta. Vitória, agora devo colocar o conteúdo aprendido em prática para poder dominar o mundo.
LOL

Beijolas,
Sushi.

jhonata freitas disse...

Bloguinho legal hen! Ótima postagem parabens! Siga o meu e me avisa lá http://jhonatakfreitas.blogspot.com

Vitória disse...

Obrigado! Segui o seu. ^^